quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Vênus no mar


Um pequeno conto que começa do meio e não tem hora certa de acabar...
Aquele mar era tudo o que tinha. Vênus caminhou lentamente pensando, por entre aqueles passos, em tudo que a vida havia lhe tirado. Seu amor, seu trabalho, sua família...
"Paulo, meu querido me desculpe ter ido embora... Mãe, pai, sei que não sou a filha perfeita, sei que não os orgulhei, mas não me odeiem. Por favor... Por favor!"
Enquanto ela se debatia em pensamentos continuou passo à passo até seu Amor verdadeiro, seu grande amante e amigo: O mar. De repente ela se deu conta de que aquele mar era única coisa que literalmente queria ter e que tudo tudo tudo havia sido bom, e como tal havia acabado na hora certa.
Seus passos se detiveram quando Vênus levantou os olhos cor-de-mel para o esplendoroso sol da tarde de domingo, por volta das 5 horas entre os meses de maio. O sol se banhava no mar, no "seu mar" e se deleitava disso, seus raios iluminavam a água com um tom laranja-avermelhado, e brincava nas águas como se dela fizesse seu parque de diversões favorito e grandioso.
Não mais que um minuto se passou e o vento com todo o seu charme e delicadeza fatal roçou a pele de Vênus e ela como que por encanto se sentiu arrepiar toda. Seu vestido fino de seda azul, escorregou por poucos centímetros em seus ombros, mas foi o suficiente para deixa-la desprotegida e vulnerável naquela linda tarde.
Uma louca vontade como que a de um vampiro faminto tomou conta do corpo delicado parado em frente as águas abundantes, e essa vontade mandavam-na entrar, colocar seus pés na água morna, apenas por um momento, apenas para se refrescar.
Como que para saciar seu desejo Vênus avançou mais, e três passos a frente sentiu-se adentrar no mar maravilhoso... um pé por vez... e seu corpo estremeceu.. ela continuo caminhando, devagar, de forma a sentir aquelas ondes atravessando-lhe a alma.
Alguns segundos ou minutos depois, a água estava em sua cintura e a linda moça lembrou-se do banho de mar que tivera algum tempo atrás, quando descobriu que não poderia fazer o que sonhava, que teria que seguir as ordens do pai e seu tornar "advogada ou doutora, aceito até mesmo professora, mas escritora não! Voluntária em algum país pobre eu não aceito! Não trabalhei tanto para isso!", naquele dia em pensou em se matar, mas desistiu por covardia ou coragem, talvez.
Aquela era a voz de seu pai em sua cabeça, mas Vênus a afastou e aos poucos lembrou-se do querido noivo: Paulo, a quem ela deixou esperando no restaurante, justamente no dia em que ele a pediria em casamento.
Mais uma vez ela afastou os pensamentos ruins, e tentou recordar sua mãe, aquela sim a amava incondicionalmente e não importava a profissão ou o marido que ela teria, pois sabia que mesmo quietinha em seu canto a mãe a ajudaria.
Vênus chorou, dançou, gritou, beijou o mar e por fim começou a se entregar... ir, e ir até que as ondas fizessem dela sua esposa, até que o sol se pudesse totalmente ela não queria mais sentir aquilo, não queria mais sofrer por nada.
Como se o mar a ouvisse e entendesse começou não a puxá-la, e sim a empurra-la, as ondas vinham e até machucavam, fazendo-a virar e se debater, mas sempre levando-a para a praia, mais e mais, até que...
Vênus acordou no hospital e ao seu lado pai e mãe a olhavam, a amavam, a cuidavam e zelavam. Antes que pudesse falar qualquer coisa seu pai venho em sua direção e disse:
- Filha, perdoe-me! Sei que fui um tolo, sei o quanto eu errei em obriga-la a fazer o que não queria e quero dizer que não cometerei o mesmo erro de novo.
Depois tudo ficou escuro de novo, ela sabia que havia desmaiado, sabia que aquilo era emoção. E tudo o que queria era agradecer ao mar e beija-lo com seu corpo para que sua gratidão pudesse ser completa. Mas acordou! E logo conseguiu conversar com os pais e contar lhes o que tinha acontecido. Ela sabia que tinha ficado dois dias desaparecida, mas não sabia ao certo sobre onde estivera, apenas se recordava do mar, e de sua vontade de seguir em frente! Sempre em frente.
Os dias passaram e ela decidiu viajar, antes esteve com Paulo e terminou tudo de uma vez, contou sobre seus sonhos de ajudar crianças, de escrever para elas e sobre elas. Claro que a menina-mulher queria se casar, mas por amor, por querer ter uma família e não apenas de parir filhos. Porém Paulo não era homem para isso e ele sabia disso tanto quanto ela própria, por isso a conversa foi calma e apaziguadora.
Bom, malas prontas ela viajou, deixou os pais em meio à abraços e beijos e seguiu em frente. Chegou em Portugal pela manhã e logo começou seus preparativos. De lá ela iria rodar a Europa escrevendo sobre educação, modos de ensino, crianças etc. Contudo o que realmente importava eram os destinos finais: África e depois voltar ao Brasil.
Olhando o belo céu de Portugal Vênus lembrou-se do mar e de como ele a salvara e decidiu que seria o mar de outras pessoas também, levando cultura e imaginação para as crianças, fazendo com que elas abram novos horizontes em suas cabeças pensantes.
Sim, era isso o que ela queria.... E conseguiu! Com muito esforço, tempo, suor e ajuda de um certo alguém que conheceu na Espanha tempos depois.

Um comentário:

  1. Muito, muito bom mesmo. O nível de sua escrita tem melhorado cada vez mais. E é gratificante ver essa evolução. Em breve sei que terei o meu (seu) livro autografado nas mãos. Sucesso.

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