terça-feira, 27 de outubro de 2015

Selva de Pedra x Azul do Mar (conto)


 
Ela acordou mais um dia feliz afinal, tinha tudo que precisava: um sol acima de sua cabeça, fé no futuro e o homem que amava ainda dormia em sua cama. Tudo perfeito, tudo como devia ser.
Apesar de muitos a  chamarem de louca, ela sabia que estava fazendo o certo... Um dia de cada vez um sonho de cada vez, e aquele homem deitado a seu lado era parte daquela alegria, ele a ajudava, a ouvia e quando era preciso a trazia de volta ao chão.
A cidade nunca foi fácil, seu emprego também não... Mas de que adianta ter saúde e fé se não puder enfrentar alguns problemas com alegria no rosto e amor no coração?
A cidade de pedra ficava para traz nos dias quentes, pois tudo que ela queria era viajar. A moto era como uma máquina de espaço-tempo. Antes de subir nela tudo era doloroso e cansativo, mas quando seu amor acelerava e o vento batia em seu corpo nada era tão libertador. Nada poderia acabar com sua felicidade agarrada ao homem de sua vida!
Sim, a chamavam de louca, e talvez ela fosse mesmo, mas quando o final de semana chegava e ela descia para a praia na sua moto-fuga, sabia que nada poderia ficar melhor. A visão do mar a sua frente, o céu no horizonte e aquela mão quente na sua a faziam delirar, e nem era preciso beber nada, fumar nada, ela estava extasiada antes de a tarde acabar.
Mais uma semana começava e eles precisam voltar para a selva de pedra, e essa selva os consumia. Depois de um tempo as brigas começaram e a persistência da família dela em acabar com seu casamento só aumentava. Numa manhã fria de inverno ela acordou irritada e mesmo com aquele homem ao seu lado ela gritou e ele calou. Porém depois daquela manhã nada mais foi igual e ela percebeu que algo ruim estava barra acontecer. Seu amado estava diferente e parecia cada dia mais se afastar. Sua única solução foi sua mãe, amiga e conselheira, aquela que nunca a julgou, diferente dos outros, que sempre quis sua felicidade.
Na tarde de sexta feira ela procurou mãe e chorou em seus braços, pois não consegui entender o que estava acontecendo, ela enfrentara TUDO para ser feliz, nunca deixou que o trabalho a afetasse, porém agora tudo estava cinzento e nem o sorriso mais lindo desse mundo (o de seu amado) a podia acalmar.Após alguns minutos de desabafo sua mãe se pôs a falar:
Filha, não se aflija, somos todos humanos e estamos fadados a falhar, só precisamos decidir quando vamos voltar e fazer tudo se acertar. Aja com parcimônia e lembre-se você está em São Paulo, os sonhos podem se realizar, mas os pesadelos são os opostos dos quais não podemos escapar. Se quiser liberte-se! Mas não se esqueça que aqui, na selva de pedra, os sonhos também podem acabar.
Nessa noite ao chegar em casa ela começou a pirar, jogou as roupas no chão, e os objetos que seu consumismo a fez comprar. Depois de algum tempo percebeu que estava confusa, mas não agora, antes... Durante os últimos meses era como se a selva brincasse com ela, a desafiasse a ser pior e ela como tola que era aceitou o desafio, e ao olhar para o relógio e não ver o marido chegar percebeu que talvez esse louco jogo a tivesse feito perder o que mais prezava: o amor!
Marina muito chorou e dormiu sem ver a hora passar. O dia seguinte chegou e nada de seu belo esposo chegar. O desespero começou a entrar em sua mente quando de repente o telefone tocou. Ela correu, atendeu e a voz do outro lado parecia querer te matar. As palavras que saíram daquele aparelho eram incompreensíveis... acidente.. moto...ferido... celular sem bateria... hospital...morto!
Lagrimas começaram a rolar, o desespero subiu pela garganta e fez correr para o banheiro para vomitar. Ela chorou, mas por um minuto pode raciocinar. Correu para o carro a acelerou sem ver direito para onde ia, ela só sabia que precisava chegar e provar que estavam errados, não podia ser ele, não poderia ser o amor de sua vida, o homem bom por quem a vida a fez se apaixonar... NÃO PODIA!
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O som do mar era reconfortante e a noite estrelada só servia para deixa-la ainda mais enlevada da descoberta que acabara de fazer: estava grávida. A vida levou seu amor, mas ele lhe deixou o presente mais belo que alguém podia deixar, que é a semente do amor que um casal pode cultivar.  Os dias passaram voando depois da tragédia em São Paulo, tragédia essa que afez repensar na vida e assim ela decidiu fazer o que já estava planejado, mudar para a praia, viver sem se preocupar com grandes empresas, ou  trânsitos ou prédios. Mas descobrir a gravidez a colocou em êxtase, a fez pirar e chorar durante horas olhando as estrelas no céu refletidas no mar.
Seu amor era tudo que tinha e agora ela tinha de novo a quem amar, iria ensinar seu bebê que devemos ser o que queremos, sem nunca fazer mal a ninguém, mas também sem nunca deixar que interfiram nos seus sonhos, nos seus amores e na nossa essência.
Marina aprendeu da forma difícil, já que Paulo sempre lhe pediu para mudar com ele, para fugir daquela família doida com que ela tinha que lidar, contudo ela foi fraca e se deixou levar pelo dinheiro e luxurias que a selva de pedra pôde lhe proporcionar. Marina agora olha pro céu com novos pensamentos, nova vida, novo amor. Tudo que ela tinha doou de coração para seu bebê no momento em que descobriu que ele estava para chegar e assim sucedeu a vida de mais uma moça honrosa que aprendeu com dor a valorizar a vida, as pessoas, o amor e simplicidade que a vida também pode nos proporcionar!

Ouvindo a música essa bela e triste história veio me assombrar, não tem a ver com a letra mas com o sentimentos impressos na notas que essa moça (Lizz Hale) pode soltar! Linda, me fez delirar!
 

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