quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Nunca mais aquela dor

                                        
Era uma tarde quente de verão e antes que Maria Flor pudesse perceber Joaquim roubou-lhe um doce beijo de amor. O sol brilhava no rosto dos quatro jovens sentados alegremente em frente ao mar, o vinho branco que traziam consigo acabava rapidamente por entre os lábios rosados dos beijos trocados. 
Paula e Ricardo riam alto e o som do mar os fazia sentir-se livre naquela tarde, tudo deserto... uma imensidão de mar beijando a imensidão do céu e por toda a faixa de areia não se via ninguém.
Estavam livres de toda dor, apesar dos pedaços quebrados que traziam no coração, livres de todo terror e entregues à utopia de viver de amor.
Ah! aqueles jovens estavam confiantes e sonhadores com a fuga que executavam, saindo do inferno para chegar ao paraíso do destemor, onde ninguém os abandonaria, ninguém bateria neles ou desacreditaria quando contassem sobre o padrasto molestador. Ninguém para manda-los para longe, só por não suportar a dor de se parecer com alguém que se foi, mas já que um dia já se amou.
Não, no paraíso que se encontravam não existia tristeza ou corações partidos. Eles estavam entregues uns aos outros ligados pela dor.
O sol começou a se pôr e Joaquim chamou os amigos:
- Vamos! Está na hora de partir.
Os três se levantaram e entraram no Swift vermelho roubado do pai de Ricardo. Eles conseguiriam, iriam fugir... Nunca mais reformatórios! Nunca mais castigos cruéis, horas sem dormir e lágrimas penosas.
Maria Flor pensou que iria chorar, mas não chorou, não sentira nada além de alívio. Aquilo que estavam fazendo era o que sempre quis e planejou com seus amigos mais antigos, sua verdadeira família. Por isso disse:
- Lets Go!

Ligaram o carro e partiram rumo ao infinito, rumo aos sonhos ainda não vividos, sonhos inteiros e cheios de amor.




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