Apesar de muitos a chamarem de louca, ela sabia que estava fazendo o
certo... Um dia de cada vez um sonho de cada vez, e aquele homem deitado a seu
lado era parte daquela alegria, ele a ajudava, a ouvia e quando era preciso a
trazia de volta ao chão.
A cidade nunca foi fácil, seu emprego também não... Mas de que adianta ter
saúde e fé se não puder enfrentar alguns problemas com alegria no rosto e amor
no coração?
A cidade de pedra ficava para traz nos dias quentes, pois tudo que ela
queria era viajar. A moto era como uma máquina de espaço-tempo. Antes de subir
nela tudo era doloroso e cansativo, mas quando seu amor acelerava e o vento
batia em seu corpo nada era tão libertador. Nada poderia acabar com sua
felicidade agarrada ao homem de sua vida!
Sim, a chamavam de louca, e talvez ela fosse mesmo, mas quando o final de
semana chegava e ela descia para a praia na sua moto-fuga, sabia que nada
poderia ficar melhor. A visão do mar a sua frente, o céu no horizonte e
aquela mão quente na sua a faziam delirar, e nem era preciso beber nada, fumar
nada, ela estava extasiada antes de a tarde acabar.
Mais uma semana começava e eles precisam voltar para a selva de pedra, e
essa selva os consumia. Depois de um tempo as brigas começaram e a persistência
da família dela em acabar com seu casamento só aumentava. Numa manhã fria de
inverno ela acordou irritada e mesmo com aquele homem ao seu lado ela gritou e
ele calou. Porém depois daquela manhã nada mais foi igual e ela percebeu que
algo ruim estava barra acontecer. Seu amado estava diferente e parecia cada dia
mais se afastar. Sua única solução foi sua mãe, amiga e conselheira,
aquela que nunca a julgou, diferente dos outros, que sempre quis sua
felicidade.
Na tarde de sexta feira ela procurou mãe e chorou em seus braços, pois não
consegui entender o que estava acontecendo, ela enfrentara TUDO para ser feliz,
nunca deixou que o trabalho a afetasse, porém agora tudo estava cinzento e nem
o sorriso mais lindo desse mundo (o de seu amado) a podia acalmar.Após alguns
minutos de desabafo sua mãe se pôs a falar:
Filha, não se aflija, somos todos humanos e estamos fadados a falhar, só
precisamos decidir quando vamos voltar e fazer tudo se acertar. Aja com
parcimônia e lembre-se você está em São Paulo, os sonhos podem se realizar, mas
os pesadelos são os opostos dos quais não podemos escapar. Se quiser
liberte-se! Mas não se esqueça que aqui, na selva de pedra, os
sonhos também podem acabar.
Nessa noite ao chegar em casa ela começou a pirar, jogou as roupas no chão,
e os objetos que seu consumismo a fez comprar. Depois de algum tempo percebeu
que estava confusa, mas não agora, antes... Durante os últimos meses era como
se a selva brincasse com ela, a desafiasse a ser pior e ela como tola que era
aceitou o desafio, e ao olhar para o relógio e não ver o marido chegar percebeu
que talvez esse louco jogo a tivesse feito perder o que mais prezava: o amor!
Marina muito chorou e dormiu sem ver a hora passar. O dia seguinte chegou e
nada de seu belo esposo chegar. O desespero começou a entrar em sua mente
quando de repente o telefone tocou. Ela correu, atendeu e a voz do outro lado
parecia querer te matar. As palavras que saíram daquele aparelho eram incompreensíveis...
acidente.. moto...ferido... celular sem bateria... hospital...morto!
Lagrimas começaram a rolar, o desespero subiu pela garganta e fez correr
para o banheiro para vomitar. Ela chorou, mas por um minuto pode raciocinar.
Correu para o carro a acelerou sem ver direito para onde ia, ela só sabia que
precisava chegar e provar que estavam errados, não podia ser ele, não poderia
ser o amor de sua vida, o homem bom por quem a vida a fez se apaixonar... NÃO
PODIA!
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O som do mar era reconfortante e a noite estrelada só servia para deixa-la
ainda mais enlevada da descoberta que acabara de fazer: estava grávida. A vida
levou seu amor, mas ele lhe deixou o presente mais belo que alguém podia deixar,
que é a semente do amor que um casal pode cultivar. Os dias passaram voando depois da tragédia em
São Paulo, tragédia essa que afez repensar na vida e assim ela decidiu fazer o que
já estava planejado, mudar para a praia, viver sem se preocupar com grandes
empresas, ou trânsitos ou prédios. Mas descobrir a gravidez a colocou em êxtase,
a fez pirar e chorar durante horas olhando as estrelas no céu refletidas no
mar.
Seu amor era tudo que tinha e agora ela tinha de novo a quem amar, iria
ensinar seu bebê que devemos ser o que queremos, sem nunca fazer mal a ninguém,
mas também sem nunca deixar que interfiram nos seus sonhos, nos seus amores e
na nossa essência.
Marina aprendeu da forma difícil, já que Paulo sempre lhe pediu para mudar
com ele, para fugir daquela família doida com que ela tinha que lidar, contudo
ela foi fraca e se deixou levar pelo dinheiro e luxurias que a selva de pedra
pôde lhe proporcionar. Marina agora olha pro céu com novos pensamentos, nova
vida, novo amor. Tudo que ela tinha doou de coração para seu bebê no momento em
que descobriu que ele estava para chegar e assim sucedeu a vida de mais uma
moça honrosa que aprendeu com dor a valorizar a vida, as pessoas, o amor e
simplicidade que a vida também pode nos proporcionar!
Ouvindo a música essa bela e triste história veio me assombrar, não tem a ver com a letra mas com o sentimentos impressos na notas que essa moça (Lizz Hale) pode soltar! Linda, me fez delirar!



