Era uma tarde quente de verão e antes que
Maria Flor pudesse perceber Joaquim roubou-lhe um doce beijo de amor. O sol
brilhava no rosto dos quatro jovens sentados alegremente em frente ao mar, o
vinho branco que traziam consigo acabava rapidamente por entre os lábios
rosados dos beijos trocados.
Paula e Ricardo riam alto e o som do mar
os fazia sentir-se livre naquela tarde, tudo deserto... uma imensidão de mar
beijando a imensidão do céu e por toda a faixa de areia não se via ninguém.
Estavam livres de toda dor, apesar dos
pedaços quebrados que traziam no coração, livres de todo terror e entregues à
utopia de viver de amor.
Ah! aqueles jovens estavam confiantes e
sonhadores com a fuga que executavam, saindo do inferno para chegar ao paraíso
do destemor, onde ninguém os abandonaria, ninguém bateria neles ou
desacreditaria quando contassem sobre o padrasto molestador. Ninguém para
manda-los para longe, só por não suportar a dor de se parecer com alguém que se
foi, mas já que um dia já se amou.
Não, no paraíso que se encontravam não
existia tristeza ou corações partidos. Eles estavam entregues uns aos outros
ligados pela dor.
O sol começou a se pôr e Joaquim chamou os
amigos:
- Vamos! Está na hora de partir.
Os três se levantaram e entraram no Swift
vermelho roubado do pai de Ricardo. Eles conseguiriam, iriam fugir... Nunca
mais reformatórios! Nunca mais castigos cruéis, horas sem dormir e lágrimas
penosas.
Maria Flor pensou que iria chorar, mas não
chorou, não sentira nada além de alívio. Aquilo que estavam fazendo era o que
sempre quis e planejou com seus amigos mais antigos, sua verdadeira família.
Por isso disse:
- Lets Go!
Ligaram o carro e partiram rumo ao
infinito, rumo aos sonhos ainda não vividos, sonhos inteiros e cheios de amor.
